segunda-feira, agosto 15, 2022

SABIA-SE DIFÍCIL MAS NÃO TANTO

 

                                                           IVÁN MARCANO

I Liga

Estádio do FC Vizela 

2.ª Jornada - 2022.08.14 (Domingo)

Tempo: sol e calor

4679 espectadores

                              FC Vizela, 0 - Futebol Clube do Porto, 1

                                            Golo de Ivan Marcano, aos 90'

              A previsibilidade de ser uma vitória difícil de obter por parte do Futebol Clube do Porto, confirmou-se. O FC Vizela bateu-se de princípio ao fim da partida pelo melhor resultado possível, tendo soçobrado apenas no último minuto do tempo regulamentar (90'), na sequência de um pontapé de canto.

             A equipa do FC do Porto não produziu a exibição coletiva que, teoricamente, tem condições para alcançar. Tendo, embora, a equipa de Sérgio Conceição entrado no jogo com serenidade e manifesta confiança, viu os comandados de Álvaro Pacheco a subir de rendimento na recuperação e trato da bola e a criar dificuldades à defesa à defesa do campeão nacional em título em jogadas rápidas de contra ataque. Ao ataque, os avançados portistas não logravam criar grandes situações para visar a baliza Buntic com sucesso sendo as investidas anuladas pela defesa contrário no momento do remate ou saiam desenquadrados com a baliza.

            Na segunda parte o Sérgio tudo fez para desbloquear o rendimento da equipa e de alguns dos seus componentes, através de substituições adequadas às circunstâncias negativas da primeira fase da partida. Entrou Otávio e saiu Uribe, prematuramente desgastado, Gabriel Veron substituiu Danny Damaso, lutador mas inconsequente. A seguir, Gruitc cedeu a posição a Eustáquio, e Toni Martinez a de Evanilson, e João Mário cedeu o lugar a Galeno. O assalto à muralha vizelense agilizou-se, contudo, os visados não cediam e aguentavam a virgindade da sua baliza, atrevendo-se de quando em vez a invadir as hostes defensivas azuis e brancas, neste jogo de cor amarela das camisolas alternativas. E, numa delas, ai meu Deus, que susto! valeu o falhanço do jogador do Vizela ao chutar a relva onde a bola já lá não parava. Na frente, a ofensiva acelerava por ação de Galeno, ao qual era portador da gazua para violar o cofre, o que veio acontecer (finalmente!), decorria o último minuto regulamentar, no remate de cabeça do central portista Iván (o terrível) MARCANO, a pôr fim à dúvida e expetativa dos apaixonados adeptos portistas e não apenas porque tiveram que apanhar as canas dos foguetes da festa azul e branca.

           Venceu quem mereceu, porque o resultado o favoreceu, ficou o excelente Vizela com o travo amargo de boca porque perdeu, esperando eu, e os que perfilham do mesmo pensamento, que, doravante, nenhum outro Clube deste campeonato que venha jogar a Vizela de lá saia sem a tromba de um elefante a roçar o chão.

           FCP, alinhou com: Diogo Costa, João Mário, Pepe, Iván Marcano, Zaidú, Matheus Uribe, Gruitjc, Pepê, Danny Damaso, Evanilson e Mhedi Taremi. Entraram: Otávio, por Uribe, Gabriel Veron, por Namaso, 2.ª parte, Eustáquio, por Grujtc, e Evanilson por Toni Martinez, aos 61', e Galeno por João Mário, aos 67'. Não utilizados: Cláudio Ramos, David Carmo, Wendell e André Franco.

           Equipa de arbitragem: Fábio Veríssimo (AF Leiria), assistentes Pedro Martins e Nuno Manso; 4.º árbitro, João Gonçalves; VAR, Gustavo Correia.

          Arbitragem ao nível do que é usual no Veríssimo; nível fraco. Não revelou critério uniforme na marcação de faltas e uso do cartão amarelo, tendo como erro maior o ter deixado sem punição uma falta dentro da área do Vizela em que o defesa meteu, deliberadamente e convictamente, o braço no pescoço de Toni Martinez, derrubando-o. Um lance ocorrido na primeira parte em que Pepe cortou de cabeça um lance sem atingir o jogador do Vizela, foi penalizado com cartão amarelo. Apenas (mais) um erro.

          Ah!, e não esqueceu o cartãozinho para o Sérgio, o insubmisso beligerante contumaz do norte, o vilão para os árbitros (in)competentes.

RC




domingo, agosto 07, 2022

MALHEIRO E MOTA BATE A BOTA COM A PERDIGOTA

 

                                        Mhedi TAREMI, dois jogos dois troféus

 Liga Bwin

1.ª jornada

2022.08.06

Estádio do Dragão

Espetadores: 46 309  

                                     Árbitro: Hélder Malheiro, AF Lisboa

                                     Assistentes: José Luzia e Hugo Coimbra

                                     4.º árbitro: Ricardo Baixinho

                                     VAR. Bruno Esteves

                                      Folha de serviço: cartões amarelos: Uribe, aos 28', Joel Tagueu, 28', Sérgio Conceição, 32', Marcano, 35' Teles, 78' 3e Galeno, 87'. Cartão vermelho: elemento da equipa de Sérgio Conceição

                   Desempenho: Sofrível

                   -Foi  notório no desempenho de Manuel Mota no jogo realizado no estádio da Luz contra o Arouca, ficou claro e evidente no Dragão no confronto com o Marítimo onde esteve o Malheiro: estes árbitros (ainda) não digeriram as recomendações que lhes foram comunicadas pela tutela, com as quais se pretende disciplinar, no banco e no relvado, os principais protagonistas do jogo da bola. Quer o Mota, de Vila Verde (Braga), quer o Malheiro da capital, afinaram pelo mesmo diapasão: critério ditatorial aleatório, numa mão a cartilha das regras, a outra no bolso para sacar cartões! Juízes? Se fossem, ao menos, oficiais de diligências. Claramente, não estão preparados. Usam o poder de punir como se fosse absoluto e supremo, num estilo de agente de autoridade rural dos tempos da maria cachuça. Não veem os decisores como agem os árbitros ingleses, não aprendem (de borla) com os melhores! Se o modelo e os seus seguidores não mudarem a rota, o futebol-espetáculo continuará a ser um mito em Portugal.

                    - Momento ridículo da arbitragem do Malheiro:

                      Aconteceu aos 35': Diogo Costa, g.r., com a bola nas mãos, pretende lançá-la rapidamente para início de contra ataque, pontapeando-a; fora da área alguns metros à frente, o jogador Tadeu, do Marítimo, levanta ostensivamente os braços e trava o percurso da bola, cometendo uma falta  clara e inequívoca, punível com cartão amarelo; Marcano, ao lado, reclama atuação do árbitro. Perante o espanto de todo o Estádio, o Malheiro, rapa do bolso o amarelo para o defesa do FCP e esquece o infrator do Marítimo, o qual, teria que ser expulso por duplo amarelo, punido por falta anterior (28')

                        E esta, hein?

                 

                        Futebol Clube do Porto, 5 - CD Marítimo, 1

                                                         (Intervalo: 3-0)

Jogaram: FCPorto: Diogo Costa, g.r., João Mário, Pepe, Marcano, Zaidu, Gruijc, Uribe, Pepé, Evanilson, Danny Damaso e Taremi. Substituições: Uribe, por Eustáquio aos 67', Danny Damaso, por Toni Martinez, aos 67', Evanilson, por Galeno, aos 67', Pepê Gonçalo Borges, aos 79', Taremi, por Veron aos 79'. Jogadores não utilizados: Cláudio Ramos, g.r., Fábio Cardoso, Wendell e Bruno Costa.

Golos: 1-0, Taremi, 12', 2-0, Evanilson, 40',3-0, aos 42', Taremi, 4-0, aos 68', Marcano, 5-0, aos 76' Toni Martinez, e 5-1, aos 88', Cláudio Winck.

MVP - Mhedi TAREMI.

                 Sobre o jogo do Dragão:

                          Triunfo inquestionável no 2001 confronto do FC do Porto no consulado do Presidente dos Presidentes Jorge Nuno de Lima PINTO DA COSTA. 

                          Dez minutos iniciais de ligeira apatia e ajustamentos prontamente corrigidos a partir do banco não ofuscaram oitenta e seis de domínio do jogo e mérito no alcance da manita, a qual poderia ter sido substancialmente mais dilatada até, pelo menos, à segunda.

                         Bons auspícios para a defesa e renovação do título, para a equipa que tem Sérgio Conceição como treinador, e duas mãos recheadas de atletas de valor. 

          Remígio Costa              


          


terça-feira, agosto 02, 2022

ENTRAR NA ÉPOCA A VENCER DÁ GANAS E FAZ CRESCER

 

                          Marchesin, gr, último troféu e jogo ao serviço do FCP

Época de 2022/23

Taça Cândido de Oliveira, 30.07

Estádio Municipal de Aveiro, 28 205 espetadores

    FUTEBOL CLUBE DO PORTO, 3 - CD TONDELA, 0

                                      Ao intervalo: 2-0

Golos de: 1-O, Medi Tharemi, aos 30'

                 2-0, Evanilson, aos 33'

                 3-0, Medi Tharemi, aos 83' 

Treinador: Sérgio Conceição, 3.ª Taça ao serviço do Clube e 23.º Troféu para o Museu do FCP (mais do que o conjunto das conquistadas por outros clubes).

Jogaram: Marchesin, último jogo pelo FCP sendo agora jogador do Celta de Vigo, João Mário, Pepe (C), Ivan Marcano e Zaidu; Grujic, Uribe e Pepê; Evanilson, Danny Damaso e M. Taremi. Substituições: Evanilson por Toni Martinez, ao intervalo, Grujic por Galeno, aos 70', Danny Damaso, por Eustáquio, aos 70', Tharemi, aos Gabriel Varon aos 87', Pepê, por Bruno Costa, aos 87'. Não utilizados: Cláudio Ramos, gr., João Marcelo, DC, Wendell, LE e Gonçalo Borges, AD. Não constam: Diogo Costa, gr., Otávio, M, Manafá, DD e Fábio Cardoso DC, por terem sido castigados pelo CD com um jogo de suspensão por cânticos contra o SLB nas manifestações da vitória do campeonato nacional.

Árbitro(zinho...), Manuel Mota, AFB; 4.º árbitro, António Nobre, AFL; e, VAR: árbitro na pro-reforma repescado, Hugo Miguel (inho vermelhinho), AFL.

RC

            



terça-feira, maio 24, 2022

TRIPAS À MODA DO PORTO, O ELIXIR DOS CAMPEÕES

                 


             Dobradinhas estão na gaveta, arrumadinhas e preservadas com bolinhas de naftalina, as camisolas das equipas que não apreciam tripas à moda do Porto. Queixam-se que provocam azia. Nós, portistas de sangue, fiéis guardiões da nossa História e zelosos defensores dos nossos bons costumes, tratamos os bois pelos nomes comendo tripas à moda do Porto e oferecemos com o maior gosto e simpatia dobradinha a quem andou, sofregamente, à procura dela sem encontrar o Jamor, tendo que sujeitar-se a chupar caracóis no tasco do zé dos anzóis lá para as bandas de Sete Rios, ao som dos guinchos dos macacos assustados com a choradeira da multidão de leões e águias que para lá foram carpir as suas mágoas. 


 

                Bem se esforçou o Dragão para mostrar a qualidade do famoso pitéu levando ao Sintrense graciosamente cinco doses (0-5), ao convidado Feirense no restaurante de luxo dragoniano mais cinco (5-.1), ao visitante slBenfica do nosso contentamento no Dragão que os encanta e assusta, três irrecusáveis travessas (3-0) sem gorjeta ao vizinho do pé da porta Vizela (1-3) que mereceu a maior cautela pela exigência demonstrada, seguindo-se uma visita de (pouca) cortesia a Alvalade levando duas doses para prova médica do chef visitado (1-2) guardando outra para o Dragão (1-0) pela cortesia que nem de borla agradeceram, até chegar ao Jamor, em Oeiras, ao encontro do desafortunado Tondela (3-1), o qual ainda vivia o pesadelo da descida e esperava que se realizasse outro sonho sonhado de papar à pala do Dragão as deliciosas tripas da nação portista ex-libris da Mui Nobre Leal e Invicta Cidade do Dragão e de Sua Alteza Real D. Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa.

 


              Sérgio Conceição é hoje em dia o treinador de futebol mais irritante e incómodo para os média capturados sediados na capital centralista do país, que veem nele o implacável destruidor dos mitos que afanosamente constroem e alimentam para sustentar a crença de que melhor do que Jesus outro jamais descerá à Terra. Sim, talvez mais depressa apareça a anónima falência aos endinheirados de fundos públicos, porquanto já os salgados não fazem sede e esgotaram a paciência com os calotes irrecuparáveis e os sacos azuis estão com as luzes vermelhas acesas. Entretanto, livrem-se das palavras cruzadas e atentem no que faz um mister português de Coimbra, sem universidade a não ser a da vida dura, Sérgio Conceição, para fazer das tripas à moda do Porto o prato mais apetecido do cardápio futebolístico nacional, com:

             - Três vitórias na Liga em cinco épocas 

             - Duas supertaças Cândido de Oliveira

             -  Contribuir para os trinta campeonatos até agora somados pelo FC do Porto

             - Duas Taças de Portugal (segunda pratada de tripas à moda do Porto na carreira)

             - Campeonato com o maior número de pontos, recorde nacional: 91 pontos

             - Ataque com mais golos: 86

             - Defesa com menos golos sofridos: 22

             - Equipa com mais vitórias: 28

             - Equipa com menos derrotas: 1

             - Maior período sem derrotas 

             -Jogadores lançados na ribalta como Diogo Costa, João Mário, Vitinha, Fábio Vieira, Francisco Conceição, Francisco Meixedo (g.r.) e Luís Diaz, só para nomear alguns dos promovidos na época agora finda.

         


              Sérgio Conceição tem ainda dois anos para desempenhar o cargo de treinador principal do melhor Clube português. Tempo bastante para enriquecer o seu currículo e consolidar a bagagem para aspirar a mais altos voos em qualquer dos maiores clubes do mundo, tal como o seu Clube de coração.

              Tão bem que me saberia agora uma bem nutrida e composta tripalhada à moda do Porto! Depois das férias? Bem, venha lá então essa tal de francesinha, para a sossega.



       



     



            

Remígio Costa

               

              

               

                

              

sábado, fevereiro 20, 2021

NÃO NASCI PORTISTA, QUIS SER ADEPTO DO MELHOR CLUBE DE PORTUGAL.

     


     Há adeptos de clubes de futebol que fazem questão da afirmar que o são desde que nasceram. Frequentemente, ouvem-se pais a declarar com jactância e elevada presunção, que, no dia do nascimento de um filho a primeira atitude tomada foi a de ir inscrevê-lo como sócio do clube de que são apaniguados. Não lhes concederam o direito de escolha, foi-lhes imposta a militância sem direito a  opção.

       Não é, felizmente, o meu caso. Ser adepto do Futebol Clube do Porto foi, para mim, uma decisão assumida livre e voluntariamente ainda antes da matrícula no ensino escolar. 

       Diluíram-se na memória do tempo os motivos exatos que influenciaram a minha imberbe escolha clubista. Não nasci num ambiente familiar de fervorosos apaixonados pelo futebol, nem me recordo de alguma vez ter ouvido falar em família deste desporto, nem tenho lembranças de algum dos meus parentes próximos ser seguidor de um dos clubes mais relevantes de então. A tantos anos de distância apenas admito que a relação de alguma proximidade que em determinado momento da minha juventude mantive com o meu amigo Rogério Agra, quatro anos a mais na idade, tenha contribuído para acender em mim a chama do Clube da Invicta cidade do Porto.

      O Rogério, na pujança da juventude, era para mim, um furacão em movimento. Fazia corridas em bicicleta, possuía motorizada (Saches) antes de poder conduzir viatura própria, participava em algumas provas não oficiais, jogava e falava muito de futebol e, muito frequentemente, do Futebol Clube do Porto; sem surpresa já que o pai, José Martins Agra e o tio José Pereira Agra (Zé Gordo), assistiam a jogos em que o FC do Porto intervinha, tanto no Porto como em Braga, e havia assunto substancial para discussões e conversas. Conforme o sucesso do resultado era certo que o FCPorto era para todos o assunto mais abordado e que eu ouvia com mais interesse; em tempos mais recentes, já adulto, criou laços de amizade com grande parte dos elementos do plantel portista, destacadamente com Carlos Vieira e Hernâni e de Mestre Pedroto, alguns dos quais se tornaram visitas habituais de família principalmente o extremo de Oliveirinha (Aveiro) Carlos Vieira.

     Acima de qualquer outro fator que pudesse ter influenciado a minha escolha nenhum foi mais relevante do que a beleza figurativa e simbólica do distintivo, bem como o recorte e as cores do equipamento oficial constituído por camisola com duas listas verticais azuis com o símbolo sobre o lado do coração, calção da mesma cor e meias brancas. Irresistível!

     Antes de saborear a vitória no campeonato de 1955/56, depois de ter atravessado o seco deserto de dezanove anos sem um trago de água para matar a sede de triunfos relevantes, o primeiro jogo do Futebol Clube do Porto a que tinha assistido, ao vivo, foi o da inauguração do estádio das Antas em 28 de maio de 1952, tinha eu 15 anos. (Nota: participei na campanha de angariação de fundos organizada por uma Comissão para o levantamento da obra, vendendo dois maços de bilhetes para um sorteio com 50 bilhetes cada um).  O desastre da derrota por 2-8 não perturbou em nada a minha alegria de ter estado lá, naquele momento histórico, em pisar a relva no fim, reter na vista um cenário incrível de mais de cinquenta mil pessoas a encher o magnífico anfiteatro e a porta da maratona do lado nascente, junto dos meus pais que haviam cedido às minhas insistentes solicitações para integrarem numa excursão em camioneta de passageiros da Auto-Viação Cura.

       

 


     No ano de 1958, então em Caxias a cumprir serviço militar obrigatório, assisti no estádio nacional de Oeiras à conquista de uma Taça de Portugal do meu clube, pelo resultado de 1-0 com um golaço do maravilhoso e saudoso jogador Hernâni, um dos meus primeiros ídolos da bola. 

       Longe dos centros onde se desenrolava a atividade desportiva do futebol competitivo e o desporto em geral, sobretudo o Hoquei em patins muito em voga, era difundido na aldeia onde vivia e ainda resido através dos relatos na rádio ou das páginas de jornais e revistas que comprava a um moço, o Levinho, vindo de Ponte de Lima; o Norte Desportivo, editado na cidade do Porto, o Mundo Desportivo, a A Bola, o Jornal de Notícias, a revista Stadium, designadamente, o Mundo da Aventuras para coleccionar a estampa em A-4 de jogadores em meio corpo, e ouvir os comentários de Tavares da Silva na EN à uma hora das segundas-feiras, trocar as fotos dos jogadores para preencher as cadernetas da Panini, etecetera, alimentava a minha paixão. Nos relatos, eram Quadrios Raposo, Artur Agostinho, Amadeu José de Freitas (?), Alves dos Santos, António Ribeiro Cristóvão, Fialho Gouveia, Carlos Cruz, todos a partir das rádios alfacinhas, de cima abaixo isentos e imparciais, sérios e cumpridores do estatuto de jornalistas, que eu então jamais poria em causa, tudo acontecia como me chegava aos ouvidos. Mais recentemente, o melhor de todos: Gomes Amaro, da Rádio "Quadrante Norte", que fazia conjuntamente com João Veríssimo (já falecido), os relatos do FC do Porto e que conheci pessoalmente em Coimbra tendo ele permitido que estivesse na cabine de som num Académica-Porto de carater particular na estreia do jovem central Fernando Couto. Gomes Amaro tinha um estilo próprio de descrever as emoções do que se passava na partida numa voz inconfundível com sotaque brasileiro, era preciso e conciso nas análises e honesto nas avaliações. Julgo que reside atualmente, com idade avançada e já desligado da rádio, na cidade de Vila Nova de Gaia. Lembro-o com saudade. Já não há muita gente desta estirpe nos canais que emitem a partir de Lisboa, e os programas sobre o apelidado desporto-rei que produzem são na generalidade púlpito para comentadores capturados, cartilheiros a soldo e ídolos decadentes a recibo verde.

       Com o Presidente Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa e o Mestre José Maria de Carvalho Pedroto, o Futebol Clube do Porto cresceu e converteu-se num baluarte de Portugal e da Região norte, conhecido e respeitado externamente. Tive a felicidade de viver esta Era de êxitos descomunais do Clube do Dragão da "mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto", cada vez mais bela e acolhedora, o qual quebrou com estrondo a partir da Revolução de Abril a hegemonia do acrónimo BSB dos clubes sediados na "capital do império". Tive o privilégio, a oportunidade irrepetível de estar em Viena de Áustria em 27 de Maio de 1987, à data designado como estádio do Prater, na conquista da primeira Taça da Liga dos Campeões, vendo a equipa do meu coração abater o colosso bávaro Bayern de Munique, por 2-1, com golos do mágico Rabath Madjer e o endiabrado velocista brasileiro Juary Santos.  O êxito coletivo alcançado desde então, vividos ou passado a cores nas televisões mundiais, contabilizando troféus internos e internacionais de vulto que ornamentam o atual espetacular museu do maravilhoso Estádio do Dragão, fez do Presidente Pinto da Costa um alvo a abater pelos media da corte invejosa e decadente, frustrada e incapaz de reconhecer o mérito da competência e do sucesso.

        Hoje, no ocaso da minha vida terrena sei, convictamente, que a minha opção não poderia ter sido melhor. Sou, pois, adepto assumido de um Clube especial, único, o Futebol Clube do Porto, que foi, é, e será a minha paixão sentimental, a bandeira com a qual me identifico e seguirei até aos últimos dias da minha existência.

       Sou Portista, sou do Norte, sou Português!

      

     



Aleluia! Daqui houve nome Portugal

 

Dúvida? Não, mas luz, realidade,
e sonho que na luta amadurece:
o de tornar maior esta cidade
eis o desejo que traduz a prece.

Só quem não sente
o ardor da juventude
poderá vê-la de olhos descuidados,
Porto - Palavra Exacta, nunca ilude
renasce nela a ala dos namorados.

Deram tudo por nós esses atletas
seu trajo tem a cor das próprias veias
e a brancura das asas dos poetas
ó fé de que andam nossas almas cheias
não há derrotas quando é firme o passo
ninguém fala em perder, ninguém recua
e a mocidade invicta em cada abraço,
a si mais nos estreita: a pátria é sua!

E de hora a hora cresce o baluarte
vejo a torre dos clérigos ás vezes
um anjo dá sinal quando ele parte
são sempre heróis, são sempre portugueses
e Azul e Branca essa bandeira avança
azul, branca indomável, imortal
como não por no porto uma esperança
se "daqui houve nome Portugal"?


Autor: Pedro Homem de Melo (1904-1984)

Foto: doLethes

Remígio Costa

     

     

       

quinta-feira, outubro 15, 2020

"COLEGA, AMIGO E FAMILIAR PORTISTA", A SAUDAÇÃO DO NELSON

             A nossa convivência na juventude não foi permanente nem de total proximidade. Distanciava-nos, a meu favor, o número de anos de idade e o diferente regime de vida e educação familiar de cada um de nós. O do Nelson mais rigoroso e controlado não lhe permitia contatos livres com companheiros fora do círculo limitado da família.

            O Nelson e a mãe um dia emigraram para França. Durante um largo período, não tivemos oportunidade de nos encontrar, conversar e mutuamente consolidarmos laços de amizade, a não ser nos curtos períodos de férias que passava com os seus parentes próximos residentes em Lanheses ou com familiares na terra da naturalidade, lá para as proximidades de Vila Nova de Famalicão. 

           Já com a reforma garantida, deixou a emigração e regressou definitivamente para se fixar com a progenitora em Braga, em apartamento próprio; mas, vinha na viatura própria com frequência à sua terra adotiva para estar com os amigos. Entretanto, os encontros entre nós tornaram-se mais assíduos e a amizade cresceu e consolidou-se. 

         Viria a viver sozinho após o falecimento da mãe, mantendo domicílio na cidade bracarense.

         De todos os amigos com quem me cruzei na vida não recordo outro que reunisse tanta simpatia e qualidades de conversador versátil e humorístico, pondo em tudo quanto dizia um condimento de graça e de inteligente sentido alternativo.

         O encontro era (sempre) precedido da enfática expressão: -olá, amigo, colega e familiar portista! -Familiar portista, sublinhava, de braços abertos para o abraço firme e amplo. E a conversa mantinha-se por tempo indeterminado, de sorriso pronto e saudável, à volta do nosso Clube comum, o Futebol Clube do Porto.

        Depois, as visitas começaram a rarear. O Nelson ficou doente, passou pelo Hospital, voltou para a solidão do apartamento, deixou de poder conduzir. As notícias sobre ele e a forma de vida deixaram de me chegar.

       Soube do seu apagamento por um amigo comum, mais de uma semana depois do infausto momento ocorrido há já alguns meses. Lamento não ter tido com ele um último instante para lhe manifestar toda a minha amizade e agradecer-lhe os momentos sempre agradáveis que vivemos, devolvendo-lhe o abraço e a saudação tão peculiar -olá, amigo, colega e familiar portista!. Familiar, portista!

      Até sempre, Amigo Nelson. 

     (Sabes? O nosso Porto é, de novo, Campeão...)

       

       

          

domingo, outubro 11, 2020

DRAGÃO, SEMPRE! VAI VOLTAR

      



 

      Dentro em breve,  o Dragão, Sempre! vai voltar. Com algumas alterações nos conteúdos, na forma e no estilo, mas sempre com a resiliência dos fortes e o sentimento de profunda paixão e devoção que alma de um portista genuíno e fiel possa e saiba conferir~lhe.

      O gestor não prevê a divulgação futura do "Dragão, Sempre!" noutro meio virtual de comunicação, por mais popular e procurado, designadamente no facebook: o acesso direto está aberto a todos com ou sem seguimento permanente.

      Comentários serão inseridos se e quando cumprirem as regras de civilidade e correção devidas.

 

     O Gestor: Remígio Costa