José Mourinho (foto
Record)
Deixando para trás o rocambolesco despedimento coercivo do professor Queirós das funções de seleccionador nacional de futebol, que decapitou o comando técnico da equipa nacional portuguesa com reflexos imediatos nos desastrosos resultados obtidos contra o Chipre (4-4), em casa e na Noruega (1-0), a insólita e peculiar ideia da sua substituição por Mourinho, como quem vai a um supermercado comprar, de urgência, um pacote de fraldas descartáveis e o
show-off que envolveu a tentativa de ele aceitar o
"biscate", é verdadeiramente um desconchavo total onde se destacaram dois protagonistas principais:
o previsível Madail e o improvável Mourinho.
Ainda que alguém advogue que a ideia do presidente em confiar a Mou o milagre do apuramento para o Euro-2012 tenha algum substrato a viabilidade da colaboração do actual treinador do Real Madrid e os resultados que daí eventualmente acontecessem, ninguém poderia garantir virem a ser muito diferentes dos obtidos pelos médicos do INEM chamados para uma emergência ao local do acidente já depois dos feridos terem entrado em coma.
Incompreensível, também, não ter sido o assunto abordado, pelo manos na sua fase inicial, com recato e discrição que o caso exigia, recorrendo-se para isso aos meios privados de contacto, sendo de todo confusa a viagem a Madrid do presidente da FPF sem a garantia de sucesso.
Quando chegou ao Real, o "melhor treinador do mundo" jurou a sua entrega total ao trabalho que o esperava predisposto a pensar "24 horas por dia" só e apenas no clube que Florentino Pérez lhe confiou. Conhecendo-se a grandeza do historial dos madrilenos e o momento menos bom que atravessa por falta de vitórias ao nível a que está habituado, entender-se-ia que, mesmo muito honrado com o convite, o recusasse liminarmente. Não foi assim; estranhamente, em tom algo enigmático e palavras dúbias aceitou, condicionando o sim à compreensão do presidente do clube.
Tudo parece politicamente correcto mas há detalhes que merecem alguma análise. Sendo admissível que Mourinho não tivesse dúvidas quanto à posição do seu clube em recusar o pedido português, se não directamente pelo menos pelo que a imprensa espanhola publicava, por que sujeitou Madail à humilhação de ir à presença de Pérez para o ver de dedo polegar esticado para baixo? E, depois, alguém acredita que o José vai estar em Chamartin dez dias em repouso? Só lá tem três jogadores?
O Real Madrid vai à frente no campeonato espanhol. Mas o nível exibicional tem sido pobre, as vitórias muito sofridas e longe do que o público merengue gosta. Ontem, acabou por ganhar um jogo que não merecia pois foi claramente inferior ao Real Sociedad, como ele próprio reconheceu no final da partida. O futebol praticado e o nível de prestação individual dos jogadores (Ronaldo está "a milhas" da forma que o celebrizou) é, neste momento, muito vulgar. Valdano e Florentino Pérez, não deixarão de fazer chegar a José Mourinho a mensagem de que esperam muito mais do "melhor treinador do mundo"...
PS. Corre na imprensa portuguesa e espanhola a notícia da nomeação de Paulo Bento para treinador da selecção das quinas, como antes se previa, poupando-se, deste modo, a deslocação de Gilberto Madail a Madrid para ouvir o "no"
de Florentino Pérez.
encontrar um pequeno filme promocional de pouco mais de 6 minutos, em
inglês, do F.C.Porto, com a sua história e algumas imagens dos seus
principais momentos de glória, deixo-vos alguns dados estatísticos
curiosos:
Nos últimos 33 anos, ou seja, desde 1977, época de viragem no padrão
tradicional do futebol português, que o F.C.Porto é responsável por
alguns recordes e feitos marcantes, a saber:
- Nestes 33 últimos campeonatos nacionais, o Porto ficou classificado
19 vezes em 1º lugar, 11 vezes em 2º e apenas por três vezes ficou em
terceiro lugar (ou seja, na esmagadora maioria das vezes ou foi
campeão nacional, ou vice-campeão!!!);
- Arrecadou 12 Taças de Portugal, contra 8 do Benfica e 6 do Sporting,
seus principais rivais;
- As 17 Supertaças liquidam a concorrência que, toda junta, conseguiu
as restantes 15 edições deste troféu;
- Ainda durante estes 33 anos, foi o Porto que viu jogadores seus
receberem mais vezes o título de melhores marcadores nacionais: foram
14 Bolas de Prata, sendo que, por três vezes, se juntou a Bola de Ouro
(melhor marcador europeu): Gomes por duas vezes, Jardel um vez;
- O recorde mais surpreendente talvez seja o da defesa menos batida:
nas épocas de 79/80 e de 83/84 o Porto sofreu apenas 9 golos! Não só é
incrível ter sofrido menos de uma dezena de golos durante todo um
campeonato, como o é ter repetido o feito em dois campeonatos;
- O melhor ataque nestes 33 anos também lhe pertence: 88 golos em 87/88;
- Na época 94/95 o Porto arrecada o recorde de número de jogos sem
perder, que lhe pertence até hoje: 33 jogos consecutivos;
- Baía, o mítico guarda-redes, detém o recorde de imbatibilidade ao
serviço do Porto: 1192 minutos sem sofrer golos;
- Curioso será também referir que a maior diferença pontual que um
campeão português teve para o segundo classificado, no final do
campeonato, é obra do Porto: 15 pontos de diferença para o
vice-campeão na época 87/88, quando cada vitória equivalia a 2 pontos;
mas desde que as vitórias valem 3 pontos, o Porto fez obra também: 13
pontos de diferença para o segundo classificado, em 96/97;
- Para terminar, poderíamos lembrar os recordes de transferências
milionárias de jogadores do Porto ou a curiosa marca de três jogos
consecutivos para o campeonato em que o primeiro golo foi marcado no
decorrer do primeiro minuto de jogo, sob o comando de Bobby Robson.
E agora vamos ao filme!
http://videos.sapo.pt/C9d9Z9n0cRVzGABFn5DC