A exibição de ontem à noite da equipa do Futebol Clube do Porto que terminou com a merecida conquista da 18ª SuperTaça Cândido de Oliveira, a terceira consecutiva, veio confirmar as expectativas que perspectivava para a época ora iniciada.
Este encontro de Aveiro continha muitos motivos de interesse para uma aferição sustentada no desempenho da equipa em luta pela disputa de um troféu com peso nas competições internas, em que uma vitória por si só, sendo excelente para a saúde da equipa, tem a vantagem de lhe tetirar a pressão negativa que sobre ela exerceria a comunicação social no caso de insucesso.
O Porto entrou muito determinado na partida querendo bem cedo mostrar que era o mais forte sujeitando o adversário a lembrar-se do jogo anterior para a Taça de Portugal, onde o Vitória pagou caro a ousadia de ter sonhado que poderia enfrentar o campeão olhos nos olhos e derrotá-lo. Nos primeiros minutos os vimaranenses viram-se enleados por uma sucessiva vaga de assaltos às suas linhas de defesa, em várias frentes, terrestres e aéreas, e acabaram mesmo por ceder numa jogada extremamente simples mas brilhante em que intervieram primorosamente
Moutinho, de calcanhar a soltar
Hulk na direita, este a executar "
de letra" a ponte para o golpe preciso de
Rolando. Magnífico! Poucos segundos passavam dos 3' de jogo e o Porto partia na frente: 1-0.
Seguro, sereno, pressionante, o Dragões não deixava o Vitória libertar-se da malha de ferro que lhe coarctava a acção, embora estrebuchasse
valentemente, na tentativa de mostrar os argumentos que possui e que, relativamente à época anterior se lhe reconhecem superiores. Viris sem exceder as marcas, lutadores, inconformados, os guerreiros do Minho estavam longe de pensar no armistício. Mais ânimo ganharam quando, na marcação de um livre de canto,
Fucile, o mais baixo da defesa dos azuis-e-brancos, viu Toscano a emendar para o golo do empate: 1-1. Pânico, desorientação, intranquilidade nos campeões nacionais? Nem pensar. O Porto recuperava a bola rapidamente, organizava-se, progredia para o ataque em passes sucessivos curtos ou longos,
Fucile abria na direita,
Varela (nada feliz ontem),
Hulk, mobilizava meio exército vitoriano
, Kléber parecia um condutor à procura de um lugar para estacionar.
Moutinho desdobrava-se, parecia dois ou três,
Rúben estava atento a tudo que mexia e
Souza, sobe, sobe, sobe, balão sobe, lindo e cada vez mais cheio. Aproximava-se o descanso
e Hulk, claro o
Hulk, aponta um livre pelo centro, João Paulo não tem tempo de mandar para a frente e, ao lado é
Rolando (!) que emenda o remate para o 2-1, com um ligeiro raspão num vitoriano.
Para mim o melhor veio depois do intervalo. Se até aos 63,5' a feição do jogo se manteve, a partir da entrada de
Guarin e
Falcao, e depois de
Belluschi, tendo saído primeiro
Varela (pouco feliz) e
Rúben Micael (muito esforçado, em bom plano, mas com déficite de classe), e, por último,
João Messinho, aos 84'.
Vítor Pereira deu-me a conhecer um Porto que vai surpreender além fronteiras, em Portugal já sabemos como é. Uma equipa a jogar com uma defesa sólida como esta, um meio campo a jogar com
Moutinho, Souza (ou Fernado), com
"este" GUARIN, podendo estar juntos
HULK, FALCAO E KLÉBER, e podendo contar com jogadores da estirpe de um
James Rodrigues, Varela, Yturbe, mais
Álvaro Pereira,
Otamendi, Castro, Kelvin, e outros que estão a chegar mas que ainda não vi actuar,
NÃO TENHO NENHUMA DÚVIDA que teremos condições para manter o lugar de uma das tr4ês melhores equipas da EUROPA.
A conquista deste primeiro troféu da época 2011/2012 é, folgadamente, merecido. E não foi obtido contra uma equipa qualquer. O Vitória de Guimarães mostrou estar uns furos bem acima da última época, tem um excelente lote de bons jogadores e uma idéia clara de como as coisas devem ser feitas. A continuar assim, isto é, em progressão o Vitória tem condições para ser o Braga das duas últimas épocas.
Tenho sido um crítico de Pedro Proença mas devo reconhecer que tem vindo progressivamente a afirmar-se como um árbitro de bom nível e parece-me intencionalmente interessado em colocar-se acima das suas paixões clubistas. Ontem, esteve muito bem porque, obviamente, lhe dou o benefício da dúvida em relação a três lances onde a TV mostrou ter havido irregularidades dentro da área vitoriana e ele (ainda bem, penso eu), não tem acesso às imagens que eu tive. Considero que o penalti só deve ser assinalado quando a falta é, de facto, inequívoca porque pode falsear o resultado do jogo. O que me tranquiliza em relação ao jogo de ontem, é que não houve lances idênticos na área do Futebol Clube do Porto, e isso foi óptimo porque:
Pedro Proença livrou-se de ser acusado de perdoar
TRÊS penaltis ao vencedor, e os Dragões não poderão ser acusados de que foi Pedro
Gel Proença, o seu melhor jogador.
Talvez com excepção de Varela, todos os jogadores estiveram ontem em excelente nível para um início de época. Claro que uns estiveram mais brilhantes que outros, os suspeitos do costume
HULK, ROLANDO ( o
"Homem do Jogo" por marcar dois golos, sendo defesa),
Souza, estupendo, o bloco defensivo,
Rúben Micael, honestidade no trabalho.
GUARIN, respira confiança e classe:
simplesmente precioso!
São já 18º (mais do dobro de todas as que foram disputadas) as "Cândido de Oliveira" que, em Abril, vão estar nas montras do novo MUSEU. Três, são consecutivas, é a sexta taça obtida nas últimos sete disputadas nas competições oficias em que esteve envolvida, na anterior e agora nesta época a equipa, elevou para SETENTA, a colocar o clube da Dona Victória a DUAS de distância dos "canecos" OFICIAIS validados pela UEFA ganhos pelos dois clubes e a PRIMEIRA alcançada por VÍTOR PEREIRA como técnico principal.
NADA MAU. E PROMETE!.